Modelo Conceptual # Projeto 1

Após várias sessões de brainstorming, o tema escolhido para o primeiro projeto (Visualização de Informação e Storytelling), foi o salto de Felix Baumgartner. A decisão é facilmente justificável – além de se inserir na temática pretendida (comunicação de Ciência) e de ter suscitado o interesse em todos os elementos do grupo, pode-se afirmar que é um tema com interesse público e multi-mediático. Apesar de todas as notícias e infografias publicadas sobre o assunto, houve aspetos que ficaram por esclarecer e/ou aprofundar, principalmente no que diz respeito ao facto de o pára-quedista ter quebrado a barreira do som e à tecnologia que foi desenvolvida para que o salto em queda livre, a mais de 38km de altitude, tivesse sido um sucesso. A propósito, é inegável a importância que tem a divulgação do que a tecnologia desenvolvida para a missão Red Bull Stratos trouxe para as pessoas no geral. Um bom exemplo disso é o sistema de segurança criado para o pára-quedas do Felix, algo certamente inovador e nunca antes usado, e que trouxe os seus frutos no âmbito do salvamento de vidas em situações de risco, como é o caso de naufrágios em alto mar.

Com o tema definido, importa assim explanar o tipo de projeto a realizar, bem como o seu contexto de uso. Decidimos, deste modo, fazer o protótipo de uma aplicação para iPad cujo objetivo seria, exatamente, “trocar por miúdos” a parte tecnológica respeitante à missão Red Bull Stratos e, como já foi dito, evidenciar o que é que este salto espacial trouxe, em concreto, a todos os seres humanos. No que diz respeito ao contexto de uso, o iPad foi o dispositivo selecionado devido à sua crescente notoriedade no âmbito em que se insere e à sua utilização por parte das personas definidas, descritas abaixo. Também pensamos que seria mais desafiante desenvolver o protótipo de uma aplicação para um meio ao qual não estamos tão habituadas, como é o caso do iPad ao invés do laptop, por exemplo. Escolhemos fazer para iOS, e não para outros sistemas operativos, talvez devido a esse desejo de mudança de ambiente de interação, que nos outros é mais redutor, e também devido a um certo fascínio pelo universo Apple.

Quanto às personas que definimos, estas foram baseadas no público-alvo a que se destina o P3 devido à sua natureza jovem e irreverente que, de certo modo, nos inspirou. Sendo assim, a nossa aplicação será desenvolvida para jovens entre os 18 e os 35 anos, de preferência a frequentar o ensino superior ou recém-chegado ao mercado de trabalho; estes jovens gostam de acompanhar a atualidade nacional e internacional, interessam-se especialmente por temas culturais e de cariz tecnológico, desenvolvendo um fascínio por novas narrativas multimédia. Buscam sobretudo a originalidade e novas experiências; valorizam o vanguardismo, a inovação e a surpresa, pelo que gostam de partilhar as suas descobertas online com os amigos. São seres sociáveis, bem integrados na sociedade, que apreciam o convívio e a partilha de interesses. A título exemplificativo:

“Ana tem 19 anos e estuda na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. É solteira e não tem filhos. É uma pessoa sociável e tem o seu grupo de amigos com quem partilha interesses comuns. Gosta de aprender mais com cada interação social e online, pelo que um dos seus passatempos é explorar a Internet para que possa encontrar algo que a surpreenda e que a permita aumentar o seu nível de conhecimentos.  Ana gosta de estar atenta ao que se passa em Portugal e no estrangeiro, pelo que gosta de consultar websites noticiosos. Ana interessa-se sobretudo por temas culturais mas também por novas narrativas multimédia como vídeos ou infografias, simplesmente porque são formas divertidas e práticas de assimilar informação. Ana tem um iPad e utiliza-o para aceder, de forma mais simples e rápida, à Internet, principalmente quando não está em casa, usando-o regularmente.”

“Vasco tem 31 anos e trabalha na Blip como Engenheiro Informático. É solteiro e não tem filhos. Tem uma relação amorosa que é estável, tendo a duração de quatro anos. Vasco é fascinado por tecnologia, pelo que tem curiosidade em saber mais e em encontrar informação inovadora neste âmbito. Vasco gosta de partilhar as suas descobertas tecnológicas com os colegas do trabalho, pois pode dar origem a novas ideias e a trabalhos mais interessantes; Vasco gosta, portanto, de fomentar a criatividade no seu meio de trabalho e de se surpreender com o trabalho de outros. Fora da empresa, Vasco tem o seu grupo de amigos e valoriza a formação de novas amizades, criando laços com pessoas de interesses variados. Vasco interessa-se pela atualidade noticiosa nacional e internacional, valorizando novas formas de apresentar informação como vídeos ou infografias. Vasco tem um iPad e utiliza-o diariamente.”

Após a definição das personas para o nosso projeto, importa explicar, concretamente, em que se baseia a nossa aplicação e quais são os conceitos que lhe estão associados, tanto a nível técnico como prático e até mesmo semiótico.

Depois de várias tentativas de elaborar um storyboard lo-fi, chegámos à conclusão de que a nossa forma de pensar estava a ser dominado pelo paradigma das GUI, o que certamente iria tornar o nosso projeto mais tradicional e pouco inovador, muito na onda do que os utilizadores já estão habituados a observar, pelo que não iria causar surpresa (algo que as nossas personas valorizam). Além disso, este paradigma não se coaduna totalmente com o universo ipad, pelo que se iria gerar um problema ao nível da consistência; assim, registar-se-ia, uma falha ao nível dos princípios básicos do design de interação, algo grave.

Deste modo, optámos por dotar a nossa aplicação de uma lógica exploratória e em muito pautada pelo verbo “descobrir”. Assim, o utilizador teria, ao seu dispor, num menu, várias imagens, sendo que cada uma corresponde a um formato multimédia diferente. Ou seja, o utilizador clicaria numa imagem e tanto poderia abrir uma fotografia como poderia abrir um vídeo ou uma página de informação. A cor foi o método escolhido para que se pudesse dar, ao utilizador, a noção de que formato é que este iria abrir. Portanto, uma barra laranja (#eb911c) corresponderia a uma fotografia (formato jpeg), uma barra amarela (#ffda0b) para vídeos (formato avi) e uma barra verde (#377d3a) para informação (esta página combinaria vários elementos, desde imagem a texto, que serão clarificados mais à frente). O utilizador poderia visualizar todos os elementos do menu com o movimento Swype (induzido por duas setas, uma localizada do lado esquerdo e outra do lado direito) e poderia entrar em cada um dos items com um simples Tap. As cores das barras foram escolhidas por serem bastante apelativas ao olhar, chamando a atenção do utilizador para que este pudesse reparar que se trata de tipos diferentes de ficheiros e para que, desta forma, não se sentisse perdido. As cores escolhidas ainda estão, no entanto, a ser estudadas, estando sujeitas a alterações.

Cada imagem do menu deve ter, aproximadamente, 325×184 pixéis e o espaço entre cada uma deve ser de 44×44 pixéis que é a distância recomendada entre tappable items, de acordo com o documento disponibilizado pela Apple – “iOS Human Interface Guidelines”. No que diz respeito à forma como cada item do menu abre, devemos dizer que esta é uma questão que ainda está a ser pensada e que deve, sem dúvida, ser uma das partes mais testadas com os utilizadores. Por enquanto, decidimos que, quanto às fotos e aos vídeos, estes deveriam abrir em Full Screen, sendo que deveria estar presente uma seta que permitisse o retorno ao menu inicial. Quanto às páginas de informação, estas serão explicadas um pouco mais à frente.

O espaço reservado para a inclusão do título e do lead da aplicação deve ter cerca de 1138×219 pixéis na versão horizontal da aplicação e 877×213 pixéis na versão vertical, sendo que o título deve ser apelativo e, se necessário, tratar o utilizador por tu, remetendo para um tratamento informal, descontraído, de jovem para jovem. O lead deve resumir as principais intenções da aplicação, bem como aquilo que o utilizador poderá encontrar, para que este já fique pré-formatado, evitando assim eventuais erros de percurso. Nenhum destes dois elementos é já definitivo, pelo que, nos storyboards lo-fi e médium-fi, iremos escrever algo que os substitua provisoriamente, apenas para que os utilizadores testados tenham a noção de que é naquele local que o título e o lead se irão posicionar. Estes dois elementos textuais devem encontrar-se com cor branca (#ffffff), a Helvetica, e com tamanho de tipo de letra de 60 pixéis e de 24 pixéis, respetivamente. O local onde se encontra o título e o lead tem cor negra e opacidade de 32%, para que se possa notar a imagem que se encontra no background da aplicação. Esta imagem deve mostrar o planeta terra visto do espaço e deve ser rica em tons de azul; as suas dimensões devem corresponder às dimensões do ecrã do iPad, ou seja, devem ser de 1064×768 pixéis.

No que diz respeito às páginas de informação, estas possuem duas secções distintas, sendo que uma delas serve para mostrar informação básica (que, à partida, qualquer utilizador lê) e outra que deve mostrar um segundo nível de informação e que só os utilizadores curiosos e com vontade de saber mais é que irão explorar de forma mais pertinente e aprofundada. A aplicação prática deste conceito prende-se com a divisão, em dois, da página. Assim, na versão horizontal da aplicação, situar-se-ia, do lado esquerdo, uma imagem relacionada com a temática específica a ser abordada, que pode ser o Balão, a Cápsula, o Para-Quedas, o Fato e as Câmaras. Na versão vertical, a imagem que se encontraria do lado esquerdo, estaria na parte superior da página, sendo que o texto base estaria na parte inferior, sendo esta a única diferença entre ambas as versões.

A imagem que corresponde ao segundo nível de informação seria povoada de vários “+” que mostrariam informação mais complexa e até mesmo curiosidades sobre o objeto em questão, assim que o utilizador fizesse Tap no elemento. Do lado direito estaria um espaço reservado ao texto base, cujo conteúdo se prenderia com a formulação de várias perguntas acerca do objeto respetivo, sendo que estas seriam respondidas de forma simples e percetível para o utilizador. As perguntas prender-se-iam com a tecnologia e, em parte, com a Ciência, fazendo assim com que seja mais claro o que, de facto, o salto de Baumgartner trouxe em concreto para a sociedade e em que é que a tecnologia teve que evoluir para que a missão fosse cumprida com sucesso. As informações serão baseadas nas que estão disponíveis no site da Red Bull Stratos (http://www.redbullstratos.com/), podendo ser auxiliadas por sites de Ciência e Tecnologia que entretanto possamos achar relevante. Esta página teria, do seu lado esquerdo, uma seta que induziria ao movimento Swype, cuja função seria o regresso ao menu inicial.

A cor de fundo do texto base seria um cinzento-escuro, próximo do negro (#262626) e a sua dimensão seria de, aproximadamente 477×768 pixéis na versão horizontal e de 768×430 pixéis na versão vertical. O espaço reservado à imagem seria de, aproximadamente, 547×768 pixéis na versão horizontal e de 768×590 pixéis na versão vertical. A cor dos “+” seria em tons de azul pelo facto de esta ser a cor da informação e a cor do título da página – que deve corresponder ao nome do objeto em questão – deve ser branco (#ffffff). O tipo de letra seria Helvetica com 60 pixéis de tamanho, tal como o título da página inicial que contém o menu. Este facto tem, como principal intuito, reforçar a coesão e a consistência da aplicação e da sua respetiva identidade.

Por fim, importa realçar a volatilidade deste modelo conceptual; por muito mais que as ideias aqui se encontrem assentes, este texto serve apenas para que toda a equipa de trabalho possa apresentar o seu trabalho de forma mais eficaz. É um ponto de partida estável que favorece a organização dos elementos do grupo e que permite a comunicação ao exterior (neste caso, ao professor), do que foi desenvolvido até à data. No entanto, muitos aspetos que aqui foram descritos sofrerão certamente alterações devido aos testes com os utilizadores que são, nada mais, nada menos, que uma das etapas mais fulcrais (senão a mais essencial) do ciclo de desenvolvimento do produto.

Por: Ana Castro, Luísa Gomes &  Sara Macedo

Bibliografia:

iOS HUMAN INTERFACE GUIDELINES, (página consultada a 6 de Dezembro de 2012) [em linha]. Disponível em: URL: http://developer.apple.com/library/ios/documentation/UserExperience/Conceptual/MobileHIG/MobileHIG.pdf

RED BULL STRATOS, (página consultada a 6 de Dezembro de 2012) [em linha]. Disponível em: URL: http://www.redbullstratos.com/

Anúncios

About luisasilvagomes

"Nothingness, non-existence, black emptiness."

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: