1. b) Indicar e contextualizar os dados e narrativa para o projeto 1

Após a carismática palestra do investigador Júlio Santos no Pólo de Ciências da Comunicação, confesso que fiquei alerta para um novo caminho no ramo de Multimédia, mais conhecido por Comunicação de Ciência. Esta área cativa-me particularmente devido à formação cientifico-tecnológica que tive no secundário. Como diz o povo, “ficou o bichinho”.

Deste modo, tentei saber mais sobre o conceito de knowledge broker tanto por curiosidade pessoal como para obter uma boa preparação básica e teórica para a primeira proposta de trabalho. Morgan Meyer, no seu artigo “The Rise of the Knowledge Broker”, define o conceito: “Knowledge brokers are people or organizations that move knowledge around and create connections between researchers and their various audiences”. Por outras palavras, estes profissionais ou organizações têm como principal função a partilha de informação, assim como a promoção do seu uso e respetiva criação (SVERRISSON, 2001). Esta tarefa reveste-se de especial importância, tendo em conta que os cientistas não têm tanta facilidade em comunicar com o seu público devido ao uso de conceitos complexos para a maioria dos comuns, conceitos esses que necessitam de ser desdobrados, desconstruídos e desmistificados. Assim, posso concluir que um knowledge broker é, nada mais, nada menos, que um intermediário entre a comunidade cientifico-académica e os cidadãos de uma dada sociedade ou sociedades.

Em boa verdade, estes organizações ou profissionais são tão intersticiais como invisíveis, segundo Meyer. De facto, o autor apela a que se estude as práticas utilizadas pelos knowledge brokers, bem como os seus benefícios e prejuízos, algo com o qual concordo plenamente. Meyer defende igualmente que os knowledge brokers não se limitam a mover informação; eles mesmos criam um novo tipo de conhecimento designado por “brokered knowledge”. A meu ver, e pegando nesta questão sensível que o investigador levanta, penso que a qualidade visível de um estudo pode estar profundamente dependente da forma como os knowledge brokers transmitem a respetiva informação para o público; todos somos Ciência, a Ciência somos nós. A compreensão de uma questão científica está diretamente relacionada com a qualidade de vida dos cidadãos, entre outras questões. Daqui concluo, por fim, que estes profissionais têm uma grande responsabilidade em mãos, algo que nunca tinha ponderado. Ser um bom knowledge broker não é, definitivamente, uma tarefa fácil.

Com todos estes conceitos em mente, comecei a procurar na Internet algo que pudesse servir de base ao desenvolvimento do meu projeto. Recorri, em primeiro lugar, ao site do IBMC – Instituto de Biologia Molecular e Celular, tendo em conta que o protótipo desenvolvido terá posterior serventia a este órgão. De seguida, cliquei em “Research” com o intuito de ficar a par dos trabalhos de investigação mais recentes. Depois de observar todos os projetos em desenvolvimento nas áreas de Infeção e Imunidade, Biologia Celular e Molecular e  Neurociência, fiquei cativada por uma pesquisa levada a cabo por uma equipa de cientistas liderada pela investigadora Mónica Sousa, designada por “Nerve Regeneration” (http://www.ibmc.up.pt/research/research-groups/nerve-regeneration). Após ler um pouco mais sobre o estudo (resultados prévios e objectivos de investigação futuros), decidi abordar esta temática nesta proposta; penso que a regeneração do tecido nervoso é um tema quente no que diz respeito à ciência e aos cidadãos – quantas pessoas nunca mais voltaram a ser as mesmas após lesões cerebrais permanentes? Até agora é um dado adquirido que as células cerebrais, os neurónios, não se conseguem regenerar tal como as outras células ou tecidos. Por isso, esta investigação reveste-se de extrema importância e, a meu ver, os seus frutos devem ser tornados públicos. Espero conseguir entrar brevemente em contacto com a líder da equipa de investigação para saber em que posso ser útil e que dados me poderá fornecer.

Entretanto, senti necessidade de recolher dados de contextualização e que de algum modo tornasse óbvia a relevância desta pesquisa no âmbito da Neuro ciência. O primeiro site que visitei foi a Pordata mas não obtive dados relevantes para a problemática que pretendo abordar. Desta forma, recorri ao Google que por sua vez me encaminhou para a seguinte página: http://www.crpg.pt/temasreferencia/def_incap/lesao/Paginas/Factosnumeros.aspx#t2. Este endereço pertence ao site do Centro de Reabilitação Profissional de Gaia e disponibiliza informação bastante útil no âmbito da proposta de trabalho. Os tópicos abordados no sítio web são os seguintes:

  1. O que é a lesão cerebral adquirida?
  2. Quantas pessoas têm lesão cerebral adquirida em Portugal?
  3. Alguns dados sobre esta realidade
  4. Quais as causas mais frequentes?
  5. Quais os grupos de risco?
  6. Consequências e impactos
  7. Quais as fases de reabilitação?
  8. Quais as necessidades de reabilitação com vista à integração social e profissional?
  9. Quais as características de um programa de reabilitação após a fase aguda?

Para terminar esta alínea do primeiro ensaio devo dizer que gostaria de já poder, neste momento, dissertar mais acerca da narrativa a elaborar para a proposta. Além de ter que entrar em contacto com a investigadora supra referida, penso que necessito de esclarecer algumas dúvidas com o professor que certamente são condicionantes do processo criativo.

Fontes bibliográficas: 

Meyer, Morgan; The Rise Of The Knowledge Broker (Sage, 2010)

Sverrisson, A. Translation networks, knowledge brokers and novelty construction: Pragmatic environmentalism in Sweden. (Acta Sociologica, 2001)

IBMC, (página consultada a 22 de Setembro de 2012). “Research Groups” [em linha]. Disponível em: URL: http://www.ibmc.up.pt/research/research-groups

IBMC, (página consultada a 22 de Setembro de 2012). “Nerve Regeneration” [em linha]. Disponível em: URL: http://www.ibmc.up.pt/research/research-groups/nerve-regeneration

Centro de Reabilitação Profissional de Gaia, (página consultada a 22 de Setembro de 2012). “Factos e Números” [em linha]. Disponível em: URL: http://www.crpg.pt/temasreferencia/def_incap/lesao/Paginas/Factosnumeros.aspx#t2

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